Um dos maiores mistérios do caso Madoff é o do paradeiro de todo o dinheiro envolvido na fraude financeira. Os investigadores federais que tentam descobrir onde estão os bilhões de Bernard Madoff nem sequer têm certeza do montante que estão procurando.
A estimativa do total das perdas sofridas pelos investidores da pirâmide financeira varia de US$ 13 bilhões a US$ 70 bilhões, de acordo com o que Madoff aceitou como atribuíveis às suas atividades ilegais.
Até o momento, Irving Picard, o síndico da massa falida da empresa de Madoff que faliu, recuperou apenas US$ 1,2 bilhão para os investidores no esquema.
É um magro retorno para uma investigação que dura seis meses e envolve o Departamento de Justiça, a autoridade reguladora, Securities and Exchange Commission (SEC, equivalente à Comissão de Valores Mobiliários) dos Estados Unidos, o escritório de Picard e os delegados americanos.
Para que o síndico da massa falida consiga recuperar todos os ativos, considerando a escalada dos prejuízos, é provável que agora tenha de se concentrar mais nas pessoas que tinham negócios com Madoff e não depender apenas da busca de seus ativos pessoais.
Embora esses ativos proporcionem uma visão fascinante do estilo de vida do fraudador, somente se referem a uma fração do que os investidores perderam.
A ordem preliminar de confisco emitida pelos tribunais americanos na sexta-feira menciona um apartamento em Manhattan, um imóvel de veraneio em Long Island e uma casa na Flórida, no valor de US$ 7 milhões cada um, entre os ativos de Madoff e da esposa, Ruth. Além disso, ele tinha dois iates de luxo chamados Bull e dois barcos menores: Little Bull e Sitting Bull.
Acrescentando-se casacos de pele, aparelhos de jantar e de cozinha e faqueiros avaliados por uma cifra suficiente para montar cozinhas inteiras na maioria das casas, o quadro de seu opulento estilo de vida estará completo. Entretanto, esses bens representam uma fração das perdas estimadas nas fraudes de Madoff. Existem várias teorias a respeito do paradeiro do dinheiro.
Bernard Madoff disse que, em consequência da crise financeira deste ano, estava prevendo pedidos de resgate por US$ 7 bilhões de investimentos. Parte disso foi paga, mas não se sabe quanto.
OS PARCEIROS
Mas fontes próximas à investigação reconhecem que, para o síndico avançar um pouco mais no caso, precisará investigar os que lucraram com a parceria com Madoff. O leilão de dois ingressos na primeira fila para toda a temporada de jogos dos Mets de Nova York talvez seja digno das manchetes dos jornais, mas não ajudará muito a cobrir os prejuízos dos investidores.
A posição desses parceiros tornou-se ainda mais complicada porque muitos não cumpriram os requisitos exigidos para receber a indenização de acordo com o programa de proteção ao investidor oferecido pelo governo.
Picard garantiu US$ 235 milhões do Banco Santander para pagar os pedidos de indenização apresentados pelo administrador fiduciário a uma das suas subsidiárias de investimento.
"Esperamos que outras entidades às quais apresentamos nossos pedidos se apresentem para pagá-los em benefício de todas as vítimas de Madoff", ele disse.
Segundo persistentes boatos, Madoff teria bilhões de dólares depositados em bancos no exterior, mas, se isso for verdade, provavelmente será quase impossível recuperá-los.
Picard apresentou queixa no Tribunal de Falências dos Estados Unidos contra a Cohmad Securities Corporation e vários dos seus diretores, na tentativa de recuperar muito mais do que os US$ 100 milhões que teriam sido pagos à Cohmad em troca da apresentação de clientes à empresa de Madoff.
Segundo os documentos, mais de 90% da receita da Cohmad e de outras era decorrente desta atividade.
"Nossa investigação produziu importantes evidências de que, de fato, inúmeras outras pessoas ajudaram Madoff a atrair vítimas inocentes", afirmou David Sheehan, consultor jurídico do administrador fiduciário e sócio do escritório de advocacia Baker Hostetler, nomeado pelo tribunal para Picard.
Fonte: Último Segundo (site) – 01.07.09
0 comentários:
Postar um comentário